Reflexões sobre o #setembroamarelo e #eusintomuito_filme




Estamos no final de setembro, onde a campanha Setembro Amarelo nos alertou para a necessidade da prevenção ao suicídio e às questões de saúde mental. Em uma sociedade que tem uma farmácia em cada esquina, onde a saúde do corpo é vista como coisa normal, a saúde mental ainda é um tabu. Vista muitas vezes como frescura ou "coisa da sua cabeça". Perturbações, pensamentos negativos, ansiedade, angústia, estresse podem levar a quadros delicados que exigem cuidado.

Neste ano, em especial, esse tema está me tocando muito. Eu soube recentemente de pessoas próximas que perderam seus familiares dessa forma, a personagem da série que eu acabei de gravar “Anjo loiro com sangue no cabelo” perdeu seu pai dessa forma.

E no próximo mês, dia 10 de outubro, vou estrear o filme “Eu sinto muito”, onde faço uma personagem que é BorderLine, e que tem um histórico de tentativas de suicídio e auto-mutilação. O filme foi realizado com o intuito de falar sobre o Borderline, também conhecido por Transtorno de Personalidade Limítrofe, que é caracterizado por um padrão generalizado de instabilidade e hipersensibilidade nos relacionamentos, flutuações de humor, impulsividade e instabilidade na auto-imagem.

Estima-se que esse transtorno atinja cerca de 6% da população mundial, é responsável por 20% das internações psiquiátricas e são até 10% dos pacientes atendidos em ambulatórios. A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) estima que no Brasil atinja entre 1 e 3% da população, podendo chegar a 6 milhões de pessoas.

Em uma entrevista, o diretor Christiano Vieira, disse que “falar sobre o transtorno de forma honesta poderá salvar não só relacionamentos, mas vidas, pois sabemos que muitas vezes o transtorno leva a situações trágicas. Vemos o filme como uma oportunidade singela de provocar o debate público sobre o transtorno e conscientizar sobre o tratamento aqueles que precisam.” O filme, "Eu sinto muito", foi feito com muito respeito. Para me aproximar do universo da personagem, eu pesquisei muito sobre o transtorno, tive acompanhamento de terapeutas, conheci pessoas que vivem o transtorno e tenho, através das redes sociais conversado com borders. Cada pessoa tem seu funcionamento, seus dispositivos, seus disparadores, seus traumas, o que faz cada um responder de forma tão diversa à mesma situação. Eu estudei psicologia na faculdade e desde então o estudo do ser humano é um campo de pesquisa que me interessa muito, começando por mim mesma. Para mim, o auto-conhecimento é ferramenta fundamental não só para minha saúde mental como para a composição das personagens que eu tenho o prazer de viver. Eu acho muito linda a empatia que a gente estabelece a partir da arte. Somos contadores de histórias, e através delas conhecemos outros mundos e vivemos outras vidas.

Então eu pensei muito sobre o que eu gostaria de falar aqui durante esse setembro amarelo, e é sobre isso. Sobre se conhecer se verdade. Eu me aproximei da Isabelle dessa forma. Já houve momentos onde eu me sentia em looping com pensamentos negativos que tiravam toda a minha vitalidade, mágoas, tristezas, fracassos... para sair do meu emaranhado mental, eu recorri ao auto-conhecimento. Para mim, a salvação. O processo de se conhecer mesmo, expandir a consciência, se investigar, é maravilhoso e libertador. Aprendemos nosso funcionamento, observamos nossos medos, colocamos nossa criança no colo.

Eu acredito que a gente encarnou nesse mundo para aprender, para evoluir e para ser feliz. Então tudo o que vivemos aqui é uma etapa do nosso processo de aprendizagem. Sem sombra não há luz. E o fato de vc ver o que está vendo, suas fraquezas, suas dores, seus medos, te tornam mais potente, te fortalecem, e te dão substância mais consistente para ver o mundo. Mas tem que cuidar. Tem que ir investigar e encarar esses pensamentos, esses sentimentos, com medo mesmo, com dor mesmo. Com vergonha mesmo.

Então a reflexão desse mês é um convite ao autoconhecimento. A trabalhar mais vc. A se cuidar mais. Procurar mais momentos onde vc se acarinhe, se trabalhe, busque atividades que te façam bem. Outra coisa bacana de falar, é que se cuidar não exige grandes investimentos, existem centros que oferecem consultas gratuitas ou a preços populares. Outra coisa são atividades de contato com a natureza, meditação, tomar banho de cachoeira, de mar, fazer exercícios ( que ajuda também na produção de hormônios estimulantes que geram a sensação de bem-estar) ou buscar por algum centro espiritual, óleos essenciais… O bacana é procurar alternativas para se sentir bem e conversar sobre suas dores, suas sensações. As vezes a gente nem sabe o que falar, não consegue identificar, mas conversando isso vai fluindo e algumas percepções vão se abrindo. As vezes pode ser um processo mais longo… mas nada tem problema. O que importa é vc conhecer o seu funcionamento. Isso é o mais importante, porque sabendo como vc funciona, vc pode criar ferramentas para se ajudar e se proteger.

Para finalizar, apenas um lembrete com os números, que são bastante impactantes:

Todo ano são registrados mais de 10 mil suicídios no Brasil e mais de 1 milhão em todo o mundo.

No Brasil, 11,5 milhões de pessoas tem depressão.

Para os especialistas, o tema suicídio é uma questão de saúde pública.

A OMS informa que 90% dos suicídios estão associados a depressão ou outros transtornos de humor, de personalidade, de ansiedade e problemas provocados pelo uso de álcool e drogas.

Dentro desse grupo 50-60% nunca se consultaram com um profissional de saúde mental ao longo da vida.

É preciso um olhar multifatorial para a doença: Psicoterapia, exercícios físicos, medicamentos.

Precisamos falar sobre isso para afastar os principais obstáculos à busca por ajuda: o preconceito e o tabu.

Vamos entrar nessa primavera, desabrochando, se amando mais, se cuidando mais.



Um vídeo da Isabelle, minha personagem..



E algumas fotinhas que tiramos durante as filmagens!!


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